Museum of Resistance and Liberty in Peniche, Portugal

“Guarda um cravo para mim.”
A proposta para o MNRL assenta na relação entre a
memória e a narrativa. Evoca-se a memória do lugar e
relembra-se a opressão de um sistema que censurava
e afastava quem o confrontava.
“Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.“
A preservação da ruína representa a memória crua e sombria do estabelecimento prisional. Ninguém deve reter a imagem do edifício intacto, nem ninguém deve artificializar o significado do lugar.
A intervenção arquitectónica é pontual, incide sobre as patologias construtivas e procura assegurar a organização do programa previsto para o MNRL.
A narrativa museográfica pretende levar-nos da Ditadura à Revolução, da Repressão à Liberdade, e para isso são introduzidos planos em chapa negra que interferem com a percepção espacial. Nestes elementos são expostos os conteúdos museológicos. Os planos oprimem os visitantes, reduzindo a percepção dos espaços e encurralando-os num espaço já de si agonizante. Sensações de claustrofobia, de agonia e angustia são desconstruídas ao longo da narrativa, terminando o percurso na plataforma sob o mar.

 

“Guarda um cravo para mim.”
The proposal for the MNRL is based on the relationship between
memory and narrative. The memory of the place recalls the oppression of a system that censured and turned away those who confronted it.
“We do not discuss God and virtue. We do not discuss the country and its history. We do not discuss authority and its prestige. We do not discuss family and morals. We do not discuss the glory of work and its duty. ”
The preservation of the ruin represents the raw and gloomy memory of the prison establishment. We should retain the image of the building intact, nor should anyone artificialize the meaning of the place.
The architectural intervention is timely, focuses on the constructive pathologies and seeks to ensure the organization of the program planned for the MNRL.
The museographic narrative intends to take us from the Dictatorship to the Revolution, from the oppression to the freedom, and to this are introduced plates in black metal that interfere with the spatial perception. In these elements the museological contents are exposed. The plans overwhelm visitors, reducing the perception of spaces and locking them into an already agonizing space. Sensations of claustrophobia, of agony and anguish are deconstructed throughout the narrative, ending the path on the platform over the sea.

Collaboration between Miguel Gomes, Alban Wagener; Ines Nepomuceno Museography and Design and Ana Miguel Landscape design.

Images by NATA.ARCHVIZ